Um desabafo neste retorno ao blog

Já venho a algum tempo querendo voltar a escrever aqui. Quem acompanha isto aqui desde os idos dos anos 2000, saba que sempre foi um espaço em que eu dividia meus pensamentos, minha vida e minhas descobertas técnicas.

Era algo que sempre fez parte do que eu entendo como ser quem sou. Dividir é um modo de mostrar para o mundo que as coisas não devem ser guardadas, e , sim divididades.

Nunca foi uma visão política mas, sim, humana. Só que ao mesmo tempo que sempre fui muito ativo nas redes eu lutava internamente para entender quem eu sou. E nunca entendi, diga-se de passagem.

Isto culminou em demissões que hoje vejo que foram necessárias pois eu era um cara complicado. Mas, complicado porque eu mesmo não me conhecia. Eu mesmo nunca soube quem sou.

E esta dúvida em conjunto com uma ansiedade enorme, me deu um novo driver chamado depressão. Ela nunca chega de uma vez. Ela vai corroendo cada pedacinho nosso e, como a ferrugem, em algum momento há a queda.

Já dividi algumas vezes aqui este sentimento e como ele vai e vem. Minha depressão é muito antiga porque eu tinha um modelo de Ataliba inalcançável. Lembro que uma terapeuta disse isto em uma consulta. “Porque este modelo inalcançável ?”.

E sério, nunca soube porque. O primeiro problema sempre foi que eu nunca me achei bom. Nunca me achei competente etc. Mesmo que o mundo validasse isto, internamente, havia um pequeno monstrinho que não me permitia aceitar aquilo.

E a baixa autoestima tomou conta, depressão e veio os milhares de problemas que já falei.

Mas porque eu voltei nisto tudo ? A alguns meses eu venho num proceso de auto-conhecimento muito grande. Procurando entender quem eu sou. Que algoritmo quebrado é este que nunca se achou ?

E em uma triagem apareceu algo TDAH ou TEA. Pode ser ou pode não ser. Mas neste processo de conhecimento e perda de identidade a coisa foi de explicando. Cada um dos momentos que eu disse acima.

Demissões porque sempre achei os rituais corporativos bobos. Pense, faz sentido ter que ficar se mostrando se a própria qualidade do trabalho já está ali ? Algumas coisas sociais e etc. Em resumo, eu achava o mundo meio “estranho”.

Só que, aquela né ? Minha vida é assim. Tudo acontece de forma maluca. Do nada, em meio a este processo de redescoberta fui demitido.

Este foi um baque bem grande. Apesar de cavalho velho, eu …. sim, desta vez incorporei na minha identidade do trabalho. Eu amei estar ali, porque sempre fui fã da empresa.

Foi um dos poucos trabalhos que eu realmente sonhei em estar lá. As pessoas eram maravilhosas, minha equipe me fazia parte de algo importante. E ali, naquele pedacinho pequeno do todo da corporação eu era.

Infelizmente no dia 7 de julho de 2026 algo quebrou. Entrei e estava começando a dar andamento no afazeres do dia e, fui demitido. Sim, um dos processos de demissão mais estranhos ( humilhante até ) que eu já passei.

Um simples varrer o lixo para fora da empresa. Foi assim que eu senti. Só que ali, na ruptura do Ataliba profissional com o Ataliba pessoa eu entrei em uma certa crise existencial.

Eu me perdi. Para tentar apagar o fogo que se formou tentei ajudar todas as pessoas, esposa, mãe, pai a passarem por este choque. Mas esqueci que quem havia sofrido o choque era o Ataliba.

Semanas depois, acho que uns 15 dias depois, tendo recebido alguns não em vagas ( perdi a capacidade de “namorar” novas empresas ), aquele sentimento foi se tornando físico e fui parar no hospital.

Madrugada, diarreia, estômago doendo, corpo parecendo que eu havia sido espancado. E, o diagnóstico, crise nervosa ( praticamente crise de pânico ).

Médico mandou o Rivotril e agora estou aqui. Medicado, um pouco melhor ( pois já até parei com as gotinhas, foi preciso ficar só alguns dias com ela ), e tentando reescrever esta história maluca.

Neste tempo parado voltei a me interessar pelas coisas. E escrever aqui quero que seja um dos marcos desta volta. Principalmente porque vou precisar mapear novamente quem sou.

Quem eu perdi no meio do caminho, quem eu realmente serei após a avaliação neuropsicológica e qual será o novo capítulo da minha vida.

Se será bom ou ruim, novamente eu não sei. Mas que eu tenho que estar aqui porque pessoas precisam de mim, é uma certeza.

Mesmo não valorizando tanto mais esta existência é hora de olhar para frente mesmo que exista neste momento uma nevoa enorme atrapalhando a visibilidade.

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